Venho aqui anunciar que três peças radiofônicas, das seis contempladas pela premiação Roquette Pinto, já foram gravadas. Sempre um locutor e uma locura apresentam cada uma das obras. São elas:

Mãe D´Água, de de Raimundo Alberto Guedes, de Belém do Pará.

Locutor - Hoje, teremos “Mãe d´Agua”, de Raimundo Alberto Guedes, de Belém do Para. Raimundo Alberto escreve desde 1971, tendo já recebido inúmeros prêmios em concursos ou com as encenações de suas peças “Os Mansos da Terra”, “ Os Homens e os Lobos”, “Zama – uma Aquarela Amazônica” ou “Águas de Oxalá”. Todas elas marcadas pelo lirismo, a poesia e a solidariedade para com os personagens que descreve.

Locutora - A Amazônia é sempre lembrada pela beleza e importância de sua floresta e de seus rios. Mas poucos sabem algo das populações beira-rio, de seus sonhos e de suas lutas. Ou dos índios que também aí vivem, e marcam a cultura local com seus costumes e suas lendas. É de toda essa gente que a peça “Mãe d´Água” vai falar.

João Paneiro, de Tácito Borralho e Josias Sobrinho, de São Luis do Maranhão.

Locutor - Hoje, teremos “João Paneiro”, de Tácito Borralho e Josias Sobrinho, de São Luis do Maranhão, acrescido de dois episódios de “O Cavaleiro do Destino”. Tácito Borralho é um dos mais importantes autores teatrais do Maranhão. Em parceria com Josias Sobrinho, montou o LABORARTE, onde há anos desenvolvem um trabalho de pesquisa e revalorização da cultura popular – que é também objeto de sua atual tese de doutoramento na Univ. de São Paulo.

Locutora - A peça de hoje tem por eixo um mito muito presente na cultura maranhense: o da Serpente de muitas faces que rodeia a ilha. A Serpente ora é a guardiã encantada da poesia popular e sonhos infantis, ora a besta fera do Apocalipse, arquétipo do mal, ora ainda, unindo o universo lendário e a realidade vivida, o símbolo dos males que afetam a vida da população local. Na narrativa, o homem que assume seu destino e se dispõe a enfrentar os testes que o porão à prova, vai acabar encontrando a barca encantada da lenda de Dom Sebastião, que um dia virá libertar o povo desse males.  Ou seja, fala do homem maranhense e seu destino mágico, refletindo a tradição cultural regional e discutindo o projeto político do fazer e do ser maranhense em termos de povo e origem.

Mangueira é, de Maria Helena Kühner, peça resultante de um trabalho realizado com moradores da favela da Mangueira, no RJ.

Locutor - Hoje, teremos “Mangueira é”, de Maria Helena Kühner, do RJ. Maria Helena tem 29 livos publicados, de peças para adultos e crianças, ensaios, contos e pesquisas., pelo quais já recebeu 24 premiações. Sua permanente preocupação com o social a levou a este trabalho, realizado com moradores da Mangueira, no RJ, buscando mostrar como vive, sente, pensa e sonha uma comunidade que está entre as mais representativas de uma população favelada que abrange mais de 20% da população do RJ.

Locutora – Construir uma peça a partir dos próprios personagens, ou seja, dos próprios habitantes do morro em foco, foi iniciativa pioneira – que hoje, felizmente, vem se tornando mais comum. Mangueira é sempre lembrada por sua famosa Escola de Samba. Mas poucos sabem algo da população que aí vivem, da Mangueira-realidade, da Mangueira-favela, da Mangueira povo-que-vive-nela. É esse outro lado que vamos também retratar na peça que se segue.